sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Indicados ao 26º Angelo Agostini

Visto no Bigorna – por Worney Almeida de Souza

Em fevereiro de 2010 realizaremos o 26º Dia do Quadrinho Nacional, com a entrega do Prêmio Angelo Agostini. Podem participar todo quadrinhista (profissional ou amador), estudioso, colecionador ou aficionado pelo quadrinho nacional, basta preencher a cédula e enviar para a caixa postal da AQC-ESP, para os endereços eletrônicos: votacao@aqc-esp.com.br e angeloagostini@bigorna.net, até 05 de janeiro de 2010 (se não quiser ou não souber, não há a necessidade de votar em todos os itens).

Feita a apuração, os vitoriosos serão homenageados, com direito a uma exposição, troféu e muita badalação. O resultado final e o local da festa serão divulgados no final de janeiro em revistas, em jornais de circulação nacional, no site da AQC-ESP, no site Bigorna.net e no QI.

OS CRITÉRIOS

Existem seis categorias no prêmio Angelo Agostini.


Nas categorias de MELHOR DESENHISTA, MELHOR ROTEIRISTA e MELHOR CARTUNISTA deve-se apontar qualquer profissional ou amador que esteve em atividade durante o ano de 2009. Procure folhear revistas, consultar coleções e se informar. Não esqueça dos profissionais que desenvolvem seu trabalho nos grandes estúdios, como o de Mauricio de Sousa, que têm seus nomes poucos divulgados.

(Nessa categoria você pode votar em mim, por exemplo, e eu fico muito feliz se for dua escolha!)


No MELHOR FANZINE é considerado o título publicado durante o ano de 2008 (mesmo que exemplar único), que seja caracterizado como fanzine, ou seja, com informações, notícias, resenhas ou notas sobre Quadrinhos.

(Lembrando que a Pieces não é fanzine. Fanzine aqui está sendo condierado só revistas que falem sobre HQ, não que tenha HQs publicadas)


Não confundir com revistas em Quadrinhos independentes, que podem ser votadas na categoria de MELHOR LANÇAMENTO. Já no MELHOR LANÇAMENTO valem todas as publicações com produção de artistas nacionais que tiveram seu número 1, exemplar especial ou número único lançado em 2009, para o mercado brasileiro. Para ajudar a escolha publicamos uma lista de revistas que saíram neste ano. Evidente que podem surgir novos lançamentos e publicações que não estão na lista, nada impede que você vote numa outro exemplar, indicando a editora ou o editor.

(Essa é a categoria que a Pieces se encaixa. Ali em baixo tem uma lista com alguns lançamentos. Você pode, claro, colocar outra sugestão, desde que siga os critérios acima)


Na categoria MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL devesse votar em TRÊS artistas que tenham se dedicado aos Quadrinhos, pelo menos nos últimos vinte e cinco anos. A lista de grandes profissionais que podem ser lembrados e votados para o prêmio de MESTRE DO QUADRINHO NACIONAL é a seguinte:

DÉCADA de 50: Fernando Lisboa.

DÉCADA de 60: José Meneses, Mario Jaci, Luiz Meri, Kazuhiro, Wilson Fernandes, Dag Lemos, Manoel Ferreira, Maria das Graças Maldonado, Marcos Maldonado, Francisco de Assis, Nilzon Azevedo, Lucaz, Edmo Rodrigues, Fernando Almeida, Josmar Fevereiro, Edgard de Sousa, Antonio Martins, Manuel Nunes, Joseval e Clip Pop.

DÉCADA de 70 e 80: Osvaldo Sequetin, Nelson Padrella, Wanderley Felipe, Ailton Elias, Eduardo Vetillo, Bira Câmara, Altair Gelattti, Gustavo Machado, Antonio Cocolete, Rodval Mathias, Itamar Borges, Alain Voss, Henrique Magalhães, Julio Emílio Braz, Franco de Rosa, Novaes, Toninho Lima, Elmano, E. C. Nickel, Cesar Lobo, Francisco Vilachã, e Pedro Mauro Moreno.

FANZINES: José Agenor Ferreira, Aimar Aguiar e Gutemberg.

ESTUDIOSOS: Dagomir Marquezi e Sérgio Augusto.

Evidente que podemos não ter lembrado de algum artista, mas que você considerá-lo para a votação incluindo-o na lista.

Finalmente, o prêmio JAYME CORTEZ vai para quem tenha incentivado nossa arte através da divulgação, edição, promoção ou qualquer ação que tenha aberto espaço para o Quadrinho nacional, também durante o ano de 2009.

LISTA DE LANÇAMENTOS DE 2009

Nessa lista você encontrará o nome do lançamento e entre parênteses o nome da editora ou do editor independente. A lista está colocada de maneira aleatória, sem preferência ou favorecimento. Caso você conheça algum outro lançamento que não esteja relacionado, vote nele, indicando a editora ou o autor.

LANÇAMENTOS DE 2009

NFL Comics 1 (Hamilton Tadeu)
Tocaia (Devir)
El Fanzine #1
Justice Blades (Crás)
As Melhores Tiras do Gatão #1 (Edson Gonçalo)
O Mocinho do Brasil: Tex (Laços)
Sábado dos Meus Amores (Conrad)
Flores Manchadas de Sangue (Devir)
É Tudo Mais ou Menos Verdade (Desiderata)
Todo o Poderoso Timão em Quadrinhos (Globo)
Projeto Benjamin Peppe (Paulo dos Anjos)
Turma da Mônica Romeu e Julieta (Panini)
Subterrâneo Coletânea (Marcos Venceslau)
Vulto (Júpiter II)
Vendetta (Crás)
Roko-Loko Hey Ho, Let’ s Go! (Rock Brigade)
Jubiabá (Cia das Letras)
Chico Xavier (Ediouro)
Biografia do Fantasma (Opera Graphica)
Alta Tensão #1 (Well Jun)
Todo Pererê (Salamandra)
Benjamin Peppe #1 (Paulo dos Anjos)
Capitu #1 (Fábio Turbay)
World Police (Crás)
Cordel Comix (Sivanildo Sill)
Os Brasileiros (Conrad)
Despedida Provisória (Aldo Maes dos Anjos)
Dois Canos Quentes (Edvanio Pontes)
Jesus Cristo – Uma Nova Luz (Edson Gonçalo)
Os Marginais (Marca de Fantasia)
O Guarani (Ática)
O Mais Querido do Brasil em Quadrinhos (Globo)
Copacabana (Desiderata)
Anjos da Mata (Crás)
Menino Caranguejo Especial (Cristiane Drews)
No Rastro de Masamune (Marca de Fantasia)
Pecos #1 (Arthur Filho)
Pieces #1 – (Mario Cau)
A Cabeça é a Ilha (Zarabatana)
Protetores #1 (Edivaldo Pessoa)
Rajada (Júpiter II)
Deus Céu #1 (Crás)
Luluzinha Teen e Sua Turma (Pixel)
A Leitura dos Quadrinhos (Contexto)
Princesas do Mar #1 (On Line)
Sápios & Mutunas #1 (Frank Delmindo)
Solar, Renascimento (Wellingtor Srbek)
Sagu (Trocatapa)
Ragú (Crás)
Có (Gustavo Duarte)
Temas da Vida (Well Jun)
Xiru Lautério e os Centauros (Byrata)
Xiru Lautério e os Dinossauros #1 (Byrata)
Grandes Encontros #1 (Samicles Gonçalves)
Alma Inacabante (Gazy Andraus)
Os Rancorosos (Crás)
Vida Boa (Zarabatana)
As Aventuras Secretas (Dinâmica)
Calango #1 (Marca de Fantasia)
Zumi Lumi (Crás)
Muito Além dos Quadrinhos (Devir)
Jou Ventania #1 (NG Brasil)
Apóloga #1 (Comics Independente)
Kerigman #1 (Ibis Comics)
Crânio #1 (Guilherme Oliveira)
O Desconhecido Homem de Preto (Emir Ribeiro)
Graficômetro Ilustrado (Sérgio Luiz Roda)
Rei Naja Especial (Edivaldo Pessoa)
1000 Tiras em Quadrinhos (Antonio Cedraz)
Em Busca das Estrelas (Crás)
Século 19 (Edvanio Pontes)
Entre Quadros (Mario César)
Maico Jeca, Turma da Mônica Especial (Panini)
Augusta, Versão Não Autorizada (Mariângela Bittencourt)
Humor com Sexo #1 (As Américas)
Mônica Gang #1 (Panini)
O Cortiço (Ática)
Gente Feia na TV (Prego)
Timão em Estilo Mangá #1 (BB Editora)
Revolução Constitucionalista em Quadrinhos (IMESP)
Turma do Gabi (Júpiter II)
Amigos do Macty (Crás)
Vertical #1 (Rodrigo Costa)
Sexy Bad Girls (Abdon Soussy)
Humor em Quadrinhos Especial #1 (Fernando dos Santos)
Foices e Facões (Bernardo e Caio Oliveira)
Tina #1 (Panini)
Almanaque Maluquinho – O Som da Turma (Globo)
Balaiada (Iramir Araújo)
Ato 5 (Nova Arte)
Resistência e Coragem (Antonio Cedraz)
F.D.P. (Um Hombre)
Samurai #1 (EM)
Mauricio de Sousa 50 Desenhistas (Panini)
Tweenz (Actsidec Studios)
Arkinus #1 (Chagas Lima)
Palce Primadium (4º Mundo)
Mônica y ju Pandilla #1 (Panini)
Braço Direito 1 (Chagas Lima)
Uiaca (André Vazzios)
Almanaque de Historinhas Sem Palavra Turma da Mônica 1 (Panini)
Numb Strips (Crás)
Almanaque Maluquinho – Lúcio e os Livros (Globo)
Tataribis #1 (As Américas)
Superalmanaque Senninha #1 (HQM)
A Vida de Jesus #1 (EM)
Chilrel, o Cíclope (Chagas Lima)
O Olho do Chilrel #1 (Chagas Lima)
Comando V #1 (Júpiter II)
Casa dos Robôs (Beto Martins)
Darwin no Brasil (Editora Vieira & Lent)
A Turma do Arrepio #1 (As Américas)
Coleção Kung Fu da Ebal (José Sales)
Um Tigre, Dois Tigres, Três Tigres (Devir)
Cartilha Cartum – Trânsito Consciente (Aldo Maes dos Anjos)
O Quadrinhista no Subterrâneo (Edenilson Fabrício)
Cabaret (Mundo Urbano)
Bidu 50 Anos (Panini)

Preencha a cédula e envie para nosso endereço: AQC-ESP/ Worney Almeida de Souza Caixa Postal 675 – CEP 01059-970 – São Paulo (SP) ou para os endereços eletrônicos: votacao@aqc-esp.com.br e angeloagostini@bigorna.net (se for enviar por e-mail, copie a cédula completa, cole no e-mail e preencha).

O prazo é até 05 de janeiro de 2009. Vote na categoria de Mestres do Quadrinho Nacional em TRÊS nomes e nas outras categorias vote em DOIS nomes, indicando 1º 2º lugares.

Participe e prestigie o quadrinho nacional e seus artistas!
CÉDULA 26º Prêmio Angelo Agostini 2009 AQC-ESP
MELHOR DESENHISTA DE 2009
MELHOR ROTEIRISTA DE 2009
MELHOR LANÇAMENTO DE 2009
MELHOR FANZINE DE 2009
PRÊMIO JAYME CORTEZ
MELHOR CARTUNISTA DE 2009
MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL

Visto no Bigorna – por Worney Almeida de Souza

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ju!

Fiz esse durante as aulas hoje na Pandora. Minha universitária malandrona favorita!


Para quem não conhece, a Ju é personagem da Nanquim Descartável, HQ do Daniel Esteves, da qual participo. Desenhei nos número 2 e 3!

A Nanquim Descartável é vencedora do HQ Mix desse ano, na categoria Revista Independente de Autor. Para conhecer mais, visite o site, e também o Quarto Mundo.

Entrevista para o Impulso HQ!

Saiu hoje a entrevista que eu, Ana Recalde (Patre Primordium e Quadrinhópole, minha parceira em "A Humana Perfeita") e Caio Majado (Consequências, e parceirão da Front), feita esse ano no FIQ.

Quem conversou com a gente foi o Renato LeBeau, para o site Impulso HQ! Adorei a entrevista, ficou duca! Renato e equipe, aquele abração e sucesso!

Copoei aqui a minha parte, mas não deixem de visitar o site, comentar por lá e ler as entrevistas da Ana e do Caio!

Mario Cau – Pieces

IHQ: Como surgiu a idéia da publicação?

Mario Cau: A Pieces surgiu de uma mudança de postura em relação aos quadrinhos. Na época da faculdade eu queria trabalhar com super heróis para a Marvel e para DC. Com o tempo fui conhecendo quadrinho adulto e mais autoral e conheci trabalhos que tinham vertentes mais psicológicas como 10 Pãezinhos, mais coisas do Eisner e Terry Moore. Percebi que não me conectava bem com a temática de super heróis, e comecei a fazer histórias sobre o que fazia mais sentido pra mim, e achei o que eu precisava falar e me expressar com desenhos e quadrinhos, que virou a Pieces.

IHQ: A primeira edição da Pieces recebeu excelentes críticas da mídia especializada, como foi a sua reação?
Mario Cau:
Foi uma honra e uma surpresa. Não imaginava e não esperava as boas críticas que teve, porque tem um nicho dos quadrinhos que meche com essa temática também e um receio foi que eu ficasse taxado, que falassem que eu usei a mesma formula do Bá e o Moon, Terry Moore, Craig Thompson, Daniel Esteves e etc.

IHQ: O que o leitor pode esperar de Pieces nº2?
Mario Cau:
Como estou costumando a falar a Pieces nº2 tem mais pedaços para tentar compor o quebra cabeça insano, e nunca vai entender o todo da coisa, tem que juntar as peças e os pedaços. A número dois tem mais cenas, mais momentos que não vão trazer uma conclusão final pra coisa, mas vão ajudar talvez a entender mais o que eu quero dizer com os quadrinhos da Pieces.

IHQ: Como foi produzir a continuação depois do excelente resultado do número um? Mudou algo na sua postura?
Mario Cau:
Sempre que você faz uma coisa que ela é bem aceita, com boas críticas, você já automaticamente fica com uma autocrítica maior. Eu tenho que atender uma expectativa que pode existir do número 2. Não vou falar que mudei o meu jeito de trabalho porque na verdade eu não mudei. A maior parte das histórias já estavam prontas quando a Pieces nº1 saiu, e tem duas histórias inéditas que fiz para a continuação.

Dá para perceber que as histórias mudam o estilo visual um pouco, elas têm traços variáveis, mas isso vai tanto da proposta de cada história, tanto da época que eu estava produzindo, tem histórias de dois anos atrás, e achei melhor não redesenhar, apenas revisei o texto, porque se redesenhasse eu estaria fazendo uma releitura e mudaria a coisa mais pura que tem lá. O resto da montagem foi igual à primeira edição, com muito carinho e o mesmo cuidado e a vontade de fazer o melhor trabalho possível.

IHQ: Existem mais peças do quebra-cabeça para lançar um número três?
Mario Cau:
Sempre tem. A Pieces três já está metade pronta e pretendo fazer mais histórias, colocar coisas inéditas, mas antes dela provavelmente eu vou acabar fazendo uma edição especial com uma história só.

IHQ: Como anda a sua produção? Você está mais focado na Pieces ou tem outros títulos?
Mario Cau:
Participo da Nanquim Descartável, da Quadrinhopole, da Café Espacial, da Front, então tem bastante coisa acontecendo além da Pieces. Mas fora do âmbito e quadrinhos eu atuo como professor de desenho e basicamente o ganha pão é nessa parte.



O restante da matéria está nesse link!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tocaia, quadrinhos e elitização da cultura

Texto muito pertinente do Gilberto Maringoni, vale a pena ler.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4463
Tocaia, quadrinhos e elitização da cultura

Gilberto Maringoni

Acabo de lançar um livro de histórias em quadrinhos. Chama-se "Tocaia", tem 110 páginas (algumas coloridas) e 14 histórias. Custa 45 reais. Não vou ficar aqui falando do que penso serem as qualidades do livro, o que seria o cúmulo do cabotinismo. Todo autor gosta de ter seu livro vendido, lido e comentado. Espero que todos comprem o livro.

Meu livro não é barato. Cada vez mais os quadrinhos deixam de serem veiculados em gibis e ganham as páginas de livros. Mais que uma mudança de forma, o que está em pauta é uma alteração no mercado de entretenimento, que se elitizou ao longo das últimas três décadas.

Um aficionado por histórias em quadrinhos dos anos 1980 que tomasse um túnel do tempo e fosse catapultado para uma grande banca de jornais dos dias de hoje, estranharia muita coisa. A primeira delas seria estar diante de uma pequena loja de conveniências. Doces, brinquedos, sorvetes, refrigerantes, CDs, DVDs e bugigangas várias teriam quase o mesmo destaque das publicações em papel. A segunda é que quase não encontraria gibis para adultos. Constataria o virtual desaparecimento daquelas publicações baratas, geralmente em branco e preto e impressas em papel jornal. Caso desejasse outras opções, além de quadrinhos infanto-juvenis, teria de ir atrás de uma livraria e gastar algo como dez vezes o que desembolsaria em um gibi.

O espantado leitor de 1980 descobriria que os gibis, com preços equivalentes a uma passagem de ônibus e tiragens acima de 100 mil exemplares, estariam basicamente limitados às edições dos personagens Disney e Mauricio de Sousa. Se formos rigorosos, veremos que apenas este último mantém acesa a velha tradição. É, disparado, o campeão de vendas. Mônica, Cebolinha e sua turma, cada qual em gibis próprios, tiram individualmente mais de 150 mil exemplares por mês, enquanto as revistinhas do criador de Mickey e cia. mal alcançam dez mil cópias cada uma.

Para tentar compreender a profundidade das mudanças, é preciso recuar um pouco mais. Peguemos emprestado o túnel do tempo daquele leitor.

Mercado editorial
O Brasil criou um mercado editorial em expansão quase constante entre 1930 e 1980, coincidente com o mais longo ciclo de crescimento da economia brasileira. Apesar da grande entrada de material dos Estados Unidos, as demandas e ofertas dos dois países não estavam sintonizadas. O maior exemplo disso aconteceu na década de 1950, quando surgiram gibis de terror, suspense e mistério. Enquanto nos EUA, o macartismo ensejou uma feroz censura às revistinhas, criando um código de ética que impediu o desenvolvimento de produções voltadas para o leitor adulto, relegando o gênero à eterna adolescência, aqui ocorreu o inverso.

Com a quebra da produção estadunidense, de repente, as editoras nacionais se viram desabastecidas de conteúdo e tiveram de apelar para artistas nacionais. Desenvolveu-se, entre o início dos anos 1950 e o final dos anos 1970, embora precariamente, o que se poderia chamar de uma escola brasileira de história em quadrinhos. No âmbito do terror, conseguiu-se sair das vertentes góticas europeizantes e gerar adaptações coladas à mitologia popular brasileira, farta em almas penadas, lobisomens, botos etc. Estes conviviam nas bancas com patos, ratos e heróis mascarados.

A partir do início dos anos 1980, contudo, o crescimento avassalador da indústria de entretenimento estadunidense se impõe em todo o mundo, ao mesmo tempo em que a economia brasileira fica estagnada por um longo período. Gibis chegavam aqui com o filme, os brinquedos e com toda uma parafernália de produtos retratando os heróis prediletos da garotada. O mundo editorial brasileiro ficou a reboque do mercado norte-americano. A vertente de quadrinho popular adulto é esmagada pela concorrência assimétrica.

A grande beneficiária das mudanças é a editora Abril. Em 1981, ela domina o mercado, detendo os direitos dos super-heróis das grandes editoras dos EUA, dos personagens Disney e Maurício, além de outros títulos. O padrão era o formatinho (13,5 X 19 cm.), com revistas muito baratas e de altas tiragens. Nessa época, título que vendesse abaixo de 40 mil exemplares era cancelado pela empresa dos Civita.

Por influência das tendências do mercado dos EUA, na segunda metade da década de 1980, aprofunda-se a mudança nos rumos editoriais do gênero no Brasil.

Gibis de luxo
A série de quatro revistas O cavaleiro das trevas, uma releitura de Batman feita pelo norte-americano Frank Miller, um autor nitidamente de direita, torna-se a marca da época, vendendo cerca de 60 mil exemplares.

O plano Collor teve um efeito devastador no mercado editorial brasileiro. Houve uma queda abrupta no poder aquisitivo da população e as vendas desabaram. As redações de quadrinhos das grandes editoras são extintas. Somado a isso, o próprio mercado internacional enfrentava novos concorrentes. A chegada de outras mídias, voltadas para o público infanto-juvenil – como jogos eletrônicos, internet, o DVD e outros – reduziu o interesse desse segmento para histórias em quadrinhos. Praticamente acabam as revistas em formatinho – a exceção são os títulos infantis – e o preço nas bancas sobe significativamente. Há uma clara opção das editoras por um público mais elitizado, o que sustenta tiragens menores, por volta de 10 a 12 mil exemplares.

Para os grandes monopólios da mídia, aos quais as editoras dos Estados Unidos estão vinculadas, o interesse maior é o de ter as revistas como ponto de venda e campos de experimentação para os filmes de ação, que vêm caracterizando a produção hollywoodiana. O paradoxo é que, apesar das fantásticas bilheterias de películas do gênero, a vendagem das revistas empacou.

Elitização do lazer
A elitização do mercado de quadrinhos acompanha uma tendência que se verifica no cinema e no teatro. Os preços dos ingressos aumentaram cerca de cinco vezes em termos reais nos últimos 30 anos, buscando uma equivalência com os valores pagos nos países ricos. Assim, a migração do leitor adulto das bancas para as livrarias, consumindo álbuns de tiragens de dois a três mil exemplares, é decorrência dessa mudança de perfil. Migração que passa por um apertado funil econômico, é bom lembrar.

Qual a saída para um público crescente, de baixo poder aquisitivo, ávido por produtos culturais? Tem sido a busca de outras mídias, especialmente músicas e filmes, que podem ser baixados da Internet ou pirateados. Os DVDs vendidos por camelôs custam exatamente o preço de uma passagem de ônibus ou metrô, a referência do gibi e do cinema de outros tempos.

Possivelmente aquele leitor de 1980, mencionado no início desta matéria, deixasse de lado as bancas e se animasse com o farto comércio informal das calçadas. E chegasse à conclusão que as cruzadas contra a pirataria são parte da elitização do mercado de entretenimento.


Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

FRACTAL


Retirado do blog do meu grande amigo Eduardo Ferigato:

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Dia 27 de Novembro eu e a Marcela Godoy estaremos na Quanta Academia de artes lançando nosso álbum Fractal que será publicado pela editora Devir. Quem acompanha o blog sabe que foi um trabalho de alguns anos e por isso fico muito feliz em dar essa notícia. Também na Quanta faremos uma palestra sobre como trabalhamos no desenvolvimento do álbum no dia 14 de Novembro a partir das 18:30.

Segue o link da Quanta com mais informações: http://www.quantaacademia.com/escola/evento_fractal.htm

Abraço a todos e conto com a presença de vocês!! =D
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Já vi páginas do Fractal e acompanhei o processo criativo do Edu por um tempo, e cara, isso promete muito! Com certeza recomendo, não só pela competência da Marcela e o do Eduardo, quanto pela história, que parece ser extremamente envolvente (eu não sei do final ainda!)


Para conhecer mais do trabalho do Eduardo, visitem o blog.

Edu e Marcela, parabéns, parabéns, parabéns!!!

Prêmio DB Artes

Eis que o Quarto Mundo ganhou mais uns prêmios!

A Café Espacial ganha como Revista Independente, merecido prêmio levado pelos queridos parceiros Sergio Chaves e Lidia Bassoli.

E meu amigão Daniel Esteves levou pra casa o prêmio de Roteirista Independente, junto com Wellingston Srbek! Parabéns aos dois!

E o Quarto Mundo como coletivo ganhou o prêmio de Homenagem Especial. Mais uma vez o trabalho e dedicação do Quarto Mundo sendo reconhecido. Fico muito feliz de ser parte dessa grande aventura.


Confira os outros vencedores abaixo:


Confira abaixo a lista dos Homenageados desta quinta edição do Prêmio DB Artes!

Edições Independentes

MangáK – MagyLuzia

Café Espacial – Sergio Chaves

Comando V – Allan Goldman

Roteiristas Independentes

Daniel Esteves

Wellington Srbek

Desenhistas Independentes

Adalto Silva

Pablo Carranza

Álbum Independente

Os Marginais – Elmano Silva.

HQ On-line

Um sábado Qualquer – Carlos Ruas – http://www.umsabadoqualquer.com/

Site sobre Fanzines

Bigornawww.bigorna.net

Homenagem Especial

Quarto Mundo – Coletivo de quadrinistas independentes


Veja mais sobre esse assunto aqui.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Banca de Quadrinhos entrevista Craig Thompson

Salve, salve!

O Programa Banca de Quadrinhos, como vocÊs já sabem (se n]o sabem, deveriam!), é um dos programas mais legais que eu assisto. Obviamente, trata do meu mundo, o mundo dos Quadrinhos. Também tem sempre um olhar atento e divertido sobre os quadrinhos nacionais, especialemnte os independentes.

Mas não é só pela competência e carisma que eu assisto o programa. Também acompanho meus amigos, realizando um trabalho tão especial, com tanta paixão e dedicação, que me inspira a continuar acreditando e fazendo o que mais amo.

E olha só, lembra que eu tinha comentado sobre a entrevista com Craig Thompson no FIQ (aliás, devo o post do FIQ até hoje, desculpem)? Ela acaba de sair, acho que dois dias adiantada, para minha alegria!

Confesso que quinta é um dos dias mais cansativos. Chegar aqui e ver pelo Twitter que o programa estava no ar foi uma recompensa ótima para um dia cheio!

E essa entrevista não é importante só por ser com um dos meis autores favoritos e grande inspiração, mas porque o grande Rodrigo, apresentador do programa, e amigão, me apresentou ao Craig no meio do programa.

Foi o momento mais especial desse FIQ todo, um encontro que eu não vou esquecer.

Você pode assitir o programa direto nesse link, tem duas partes, e eu recomendo a visita semanalmente para checar sempre os novos programas!

Rodrigão e equipe: VocÊs são FODA. Parabéns, de coração, e obrigado de novo.

sábado, 31 de outubro de 2009

Mais uma pin-up da MESMO Delivery!

Dessa vez meu alvo foi o Rufo.



Tem uma versão em alta desta ilustra e daquela do Sangrecco para colorizar no DeviantArt. Fqiue à vontade para baixar e pintar, e depois me mande um e-mail com a arte!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Hoje tem festa!!!



Todo mundo vandalizando por lá!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lançamento da Pieces 2

E aí pessoal!

Esse post é meio provisório. Confiemei hoje com a Dani, da HQ Mix, o lançlamento da Pieces pra dia 30 de outubro, ou seja, amanhã.
Daqui a umas 3 horas, hoje.

Ainda não recebi o flyer do lançamento da HQ Mix, mas já estou divulgando aqui. Estarei em São Paulo, na Livraria HQ Mix, na Praça Roosevelt, À noite.

Vamos ter a festa de aniversário do Quarto Mundo, e lançamentos da Quadrinhópole 8, Pieces 2 e Catálogo da exposição do Quarto Mundo de Piracicaba!

A partir das 19h, apareçam!!!

Assim que receber alguma nota oficial da livraria venho colocar aqui.